Home › Tags › lentes multifocais

Marcações em lentes free form

Mais uma dúvida de uma colega…

Boa tarde Honda. Sou técnica em óptica, me formei no senac Tiradentes. Sempre ouvi falar de você, principalmente pelo meu professor Alex Dias.

Quero tirar uma dúvida: Vendi uma lente multifocal rodenstock life 3d, só que ao chegar o óculos na loja, verifiquei que a marcações das lentes estavam invertidas, como se a frente da lente tivesse sido montada para dentro. Estranhei, pois nunca vi isso. O laboratório me passou que todas as lentes que são realmente 100% free-form são feitas assim com a marcação invertida.

Fiquei com dúvida, porque já vendi lentes de outras marcas free-form e as marcações nunca vieram assim.

Ana Paula Souza

 

Segue então minha resposta que explica a marcação e a surfaçagem de lentes free form.

 

Como a lente free-form® é totalmente feita em laboratório, independente se é visão simples ou progressivas, esse processo parte de um bloco normal ou Esférico, e é o programa que seleciona que tipo de superfície que será trabalhada por dentro, de acordo com o pedido ou receita do usuário final.

Com isso, depois de selecionado e efetuado os cálculos, todo o trabalho de “esculpir” e surfaçar o bloco é feito pelo lado interno ou côncavo da lente. O processo final dessa lente é a gravação a laser que também é feito na superfície interna ou côncava da lente, veja a foto a seguir:

 

Lentes surfaçadas com tecnologia freeform. Ranhuras deixadas pelo processo aparecem na forma de aspiral.

 

Nessa foto foi colocado um bloco para demonstrar que a superfície gravada pelo laser é a interna ou côncava, isso significa que é o contrário das lentes convencionais onde a gravação é feita pelo lado de fora da lente ou o lado convexo.

Como podemos perceber, aqui começam as diferenças entre lentes convencionais e Free-form®.

 

Lentes surfaçadas com tecnologia freeform. Ranhuras deixadas pelo processo aparecem na forma de aspiral.É possível que a gravação seja feita ao contrário, pois o laser executa a gravação de um banco de dados que pode ser uma figura, uma letra ou mesmo símbolos e não identifica se está “normal” ou “invertida”, a máquina simplesmente “grava”, ok?

 

Sendo assim, para ser uma lente Free-form® não necessita ter a gravação “invertida ou espelhada”, pois isso é apenas um processo de gravação.

Mas para saber se a lente é realmente Free-form® e não convencional seria necessário ter um microscópio eletrônico para ver as micro ranhuras residuais da surfaçagem: no caso de surfaçagem normal teríamos vários micro riscos em forma de “8” um dentro do outro e, no caso de lentes Free-form®, as micro ranhuras pareceriam um disco.

 

Lentes surfaçadas com tecnologia freeform. Ranhuras deixadas pelo processo aparecem na forma de aspiral.

 

Mas se forem lentes progressivas, como no exemplo citado, você pode saber se a lente que está analisando é Free-form® ou convencional utilizando um esferômetro.

Como em caso de lentes progressivas convencionais a superfície progressiva é a externa então ao usar um esferômetro podemos verificar se a superfície é esférica “normal” ou possui uma progressão. Agora, em caso de lentes feitas com tecnologia Free-form® a progressão é interna, o que também podemos confirmar usando um esferômetro.

Sendo assim vamos pegar duas lentes:

Comparação lentes freeform e convencionais. A olho nú é impossível saber qual é a tradicional e qual é a free form

Olhando a foto assim é difícil ou mesmo impossível saber qual é a convencional ou a Free-form®, OK?

Então vamos verificar a superfície da lente 1 com um esferômetro primeiramente no lado externo ou convexo e na parte superior ou para longe, vamos ver que medida foi usada.

Verificação de lentes com o uso de esferômetro. Medindo superfície externa, na parte para perto (inferior)

 

 

 

Observe o esferômetro marca aproximadamente 5,50 D (desculpe a pequena oscilação no esferômetro isso é pelo fato da dificuldade de fotografar).

 

 

Verificação de lentes com o uso de esferômetro. Medindo superfície externa, na parte para perto (inferior)Agora vamos ver como ficou a medição para perto da lente 1.

Observe a medida obtida foi aproximadamente 9,00 D (na verdade foi 8,50 mas na posição que a máquina fotográfica ficou parece que o ponteiro está em 9,00). Isso mostra que na superfície externa ou convexa existe uma diferença de curvaturas que é resultado da progressão ou seja é uma lente convencional. Mas para confirmar precisamos medir a superfície interna, OK.

 

Agora vamos medir a face interna da lente 1 para verificar se existe a mesma oscilação.

Verificação de lentes com o uso de esferômetro. Medindo superfície interna.

 

 

Olhe a superfície interna para longe está com uma medida de 5,50 D aproximadamente, em seguida vamos medir a mesma superfície para perto.

 

Verificação de lentes com o uso de esferômetro. Medindo superfície externa, na parte para longe (superior)

 

Note também para perto a medida é 5,50 D, então fica comprovado que a progressão é externa ou seja a lente é convencional independente se surfaçado com moldes ou usando máquinas free form®.

 

 

Agora vamos fazer o mesmo processo para lente 2.

 

Verificação de lentes com o uso de esferômetro. Medindo superfície externa, na parte para longe (superior)

Primeiro momento medindo o campo de longe do lado externo.

A medida obtida é de 5,75 D OK, agora a parte de perto que pode obter o mesmo resultado ou diferente como vimos anteriormente, OK.

 

 

 

Verificação de lentes com o uso de esferômetro. Medindo superfície externa, na parte para perto (inferior)

 

Veja o resultado, não levando em conta a diferença da posição da fotografia, a curva medida também é de 5,75, agora para confirmar vamos medir a superfície interna.

 

 

Medindo a superfície interna para longe

Verificação de lentes com o uso de esferômetro. Medindo superfície interna, na parte para perto (inferior

 

Repare que a medida foi de mais ou menos 5,25 D, agora precisamos conferir a parte de perto.

 

 

 

Verificação de lentes com o uso de esferômetro. Medindo superfície interna, na parte para perto (inferior

Veja a diferença entre longe e perto é grande, enquanto de longe obtvemos 5,25 D para perto foi de 3,00 D ou seja a “oscilação” de curva ocorreu do lado interno, então sem dúvidas essa é uma lente progressiva free form®.

 

 

 

Ana Paula, acredito que com essa explicação fique claro que ser ou não lente com tecnologia free form® não está relacionado com a gravação da lente ou a forma da gravação e sim com forma de se construir a lente.

Para encerrar mesmo as lentes de Visão Simples podem ser free form® e algumas vem com gravação e outras não, OK

Um grande abraço,

 

 

Lentes progressivas free form, qual a melhor da atualidade?

Recebi esta dúvida por e-mail e resolvi compartilhar aqui no blog.
Este amigo perguntou:

Professor na sua opinião na linha das lentes progressivas free form, qual a melhor da atualidade? A nossa empresa trabalha muito com Hoya.

Depois ele se indentificou, mas não vou colocar as informações dele aqui sem sua autorização.

Segue minha resposta:

Hoje o que ocorre é que as lentes free form, como o nome diz, apresenta várias opções de desenhos e qualidades; a escolha da sua empresa pelos produtos da Hoya é sábia, pois as grandes empresas estão preocupadas com a qualidade e adaptabilidade do seu produto para a maioria da população.

Quanto ao melhor progressivo, hoje eu digo que não precisamos mais vender “marca” e sim produto, inclusive nas minhas aulas do Instituto Filadélfia de São Paulo, e especificamente na aula de progressivos ensino os meus alunos a consultar um site: www.thelensguru.com e no item: lens map do menu, onde podem analisar vários desenhos das diversas industrias de lentes e aí sim verificar qual o melhor produto.

Resumindo: o free form é tão eficaz e de qualidade comprovada conforme o Software instalado no laboratório, logicamente a Hoya trabalha com um software desenvolvido por seus engenheiros, oftalmologistas, optometristas e matemáticos para obter o melhor desenho.

Mas existem outros fornecedores de softwares independentes, que possuem produtos similares e igualmente eficazes e de qualidade óptica superior às lentes convencionais, inclusive minha empresa, a Optview (www.optview.com.br) que é independente, entre várias ofertas de mercado optou por dois softwares independentes consagrados, OK.

Sendo assim, como saber se o produto é acertado ou não? Deve ser a sua próxima pergunta.

Estudando a topografia e mapa das lentes, por isso é que ensino meus alunos a consultarem o site acima.

Quando você passa a entender de mapas conclui que para cada pessoa um desenho é o mais adequado, exemplo se temos um motorista profissional, com certeza ele precisa de um progressivo que tenha o campo de longe bem grande, mas se fizermos isso perdemos um pouco no campo de perto… ninguém faz milagre, certo. Agora se temos um desenhista, por exemplo, com certeza ele precisa de maior campo de perto, com isso ele perde um pouco do campo de visão de longe, OK?

Para melhor entender observe os dois mapas que se seguem:

Confira o desenho para indicar qual a melhor lentes progressiva para seu cliente

 

Eles são bem diferentes: enquanto o da esquerda possui um grande campo de longe e o campo de perto está estreito, o outro, da direita, possui um campo de perto maior mas sacrificou o de longe, então são produtos para pessoas com necessidades diferentes, com certeza o da esquerda é mais recomendado para o motorista, enquanto da direita para o desenhista, OK?

 

Como disse, o free form depende do software. Se o software permitir escolher várias opções de desenhos, como exemplo vamos dizer que ele tenha os dois desenhos mostrados, então mediante a sua informação obtida com o cliente (a famosa anaminese ou questionário como: qual sua atividade principal, qual é a queixa sobre o multifocal que você usa, qual a distância de visão que mais usa, etc) o laboratório então pode disponibilizar o melhor produto, OK?

 

Nesse ponto posso garantir que os produtos produzidos na minha empresa não devem em nada aos da Hoya.

Agora uma resposta direta a sua pergunta, depois dessa rápida explanação. O progressivo free form mais adequado ou de melhor qualidade é aquele que se adequa a necessidade do cliente e cujo o software permita essa individualização.

Aproveito para fazer um convite, vindo a São Paulo, venha conhecer nosso laboratório e assim podemos conversar pessoalmente para esclarecer melhor a sua dúvida. Aproveito para informar que temos um equipamento de mapeamento para controle de qualidade que atesta todos os produtos que saem da nossa empresa, e que também faz a análise da lente que o usuário já usa, OK.

Para conhecer um pouco mais da OPTVIEW veja o filme institucional que está no menu lateral do blog.

Um grande abraço e espero ter respondido a sua pergunta de forma clara em poucas palavras.

 

Tecnologia Free-form: A Evolução no Processo de Produção das Lentes

PARTE 1

Muito se fala sobre o que é a tecnologia Free-form de produção de lentes, as empresas usam esse fato como argumento de marketing, em muitos casos ele é encarado como sendo a lente perfeita, afinal o que seria essa tecnologia e a lente produzida por ela?

 

Lentes digitais. Processo de surfaçagem tradicional, utilizando moldes

www.lentes.optview.com.br

Bom, para entender como uma lente pode ser feita vamos contar resumidamente como as lentes são fabricadas no processo tradicional e as atuais feitas com tecnologia free-form. Conhecendo melhor a evolução dos processos de produção de lentes poderemos conhecer melhor a própria lente fruto dessa tecnologia.

Outra observação importante: atualmente estamos vivenciando um momento de transição de tecnologia. Com isso, o antigo e moderno coexistem e atendem de forma satisfatória, porém cada um no seu espaço.

 

A forma antiga de fabricação de lentes envolve os cálculos de curvas e espessuras de forma “manual” ou usando o apoio de um programa de computador. Uma vez calculada a lente, o técnico parte para separação dos moldes que serão usados na fabricação da lente.

Lentes. Processo de surfaçagem tradicional, utilizando moldes.

Molde para surfaçagem no processo tradicional. fonte: www.martinato.com.br

 

Esse molde terá a curva conforme o cálculo para que a lente tenha o grau adequado. Um dado importante é que esses moldes são fabricados com graus já determinados em intervalo de 0,25D em 0,25D e, em casos especiais, chegando a 0,06D em 0,06D em laboratórios com jogo de moldes mais completos. Mas mesmo com esse intervalo pequeno (0,06D) as aproximações das dioptrias ou grau são inevitáveis, com isso o grau final da lente pode não ser “cravado” e é para esses casos que existem os chamado normas de tolerâncias que são determinados em documentos estabelecidos pela ABNT.

Depois que o molde foi separado a lente entra em produção no laboratório de surfaçagem. Resumindo rapidamente o processo de surfaçagem tradicional:

 

1 – O bloco Semi-acabado é desbastado em um gerador de curvas: para você compreender e ver o trabalho do gerador assista o vídeo abaixo.

 

2- Depois de desbastado no gerador a lente é trabalhada pelos moldes, e esse processo envolve lixas, da mais grossa até a mais fina e finalmente a parte de polimento com feltros e um líquido branco que é o polidor, como você poderá observar no vídeo

 

3 – depois de pronto é só conferir a lente em um lensômetro, veja a seguir um exemplo de conferência de lente ou óculos

 

Como podemos ver esse processo é “engessado” ou seja, só podemos produzir a curva que o molde está projetado.

 

Volte na sexta-feira para entender o processo de surfaçagem digital, ok?