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Fabricação de lentes oftálmicas. Parte 1. Blocos de lentes

Lentes oftálmicas são feitas a partir de blocos pré-moldados.

Bloco bruto para surfaçagem de lentes oftálmicas

Esses blocos são feitos de plástico ou vidro (para não haver confusão de conceitos, utilizaremos os termos técnicos mais tarde, ok?), normalmente em formato circular, com uma determinada espessura, como se fosse um pequeno disco.

Nesta fase antes do beneficiamento, o bloco possui dois lados, um côncavo e outro convexo e apresenta aparência rugosa, sem acabamento e, se olharmos através dele não conseguiremos definir a imagem, por esse motivo é chamado de BLOCO BRUTO.

Bloco bruto para surfaçagem de lentes oftálmicas.

O Bloco Bruto já possui o diâmetro padrão de fabricação, normalmente encontrado em 70 milímetro, 65 mm e 60 mm. Esse padrão sofreu muitas alterações com o mercado atual com isso podemos até dizer que, não existe mais um padrão “universal” de diâmetro mas sim um padrão diferenciado de empresa para empresa. Podemos encontrar hoje blocos oferecidos com diâmetros de 80mm, 72 mm, 68 mm, e por aí vai, portanto mais que estar informando neste livro um suposto padrão, recomendo consultar o seu fornecedor.

Bloco bruto para surfaçagem de lentes oftálmicas. O diâmetro varia de acordo com o uso que se quer dar.

Outra consideração é que os equipamentos modernos possibilitam alterar o diâmetro original do bloco de acordo com as especificações do pedido, praticamente gerando um tamanho personalizado para cada situação. Sendo assim, um bloco que originalmente tivesse diâmetro de 80 mm pode ter o seu diâmetro reduzido para, por exemplo, 54 mm devido à conveniência do trabalho a ser realizado.

Quanto à espessura do Bloco, também varia de fornecedor para fornecedor. Quando o mercado era composto em sua maioria por lentes de cristal, o normal era encontrarmos as espessuras dos blocos com a seguinte padronização, iniciando-se com uma espessura de 4 mm e terminando com 20 mm e o intervalo de 2 mm em 2 mm.

Bloco bruto para surfaçagem de lentes oftálmicas. A espessura varia de acordo com o uso que se quer dar.

Outra padronização que deve ser conhecida é das suas superfícies, o lado convexo do Bloco ou Lente é conhecido como “superfície positiva” e todo lado côncavo do Bloco ou Lente é conhecido como “superfície negativa”.

Bloco bruto para surfaçagem de lentes oftálmicas. Superfícies negativa e positiva

Tendo o Bloco Bruto em mãos é preciso começar a transformação dele em lente, isso é feito por um profissional de surfaçagem.

Surfaçagem é o ato de trabalhar a superfície da lente esmerilhando ou lixando de forma que adquira a curva necessária para a Dioptria da lente.

Mas falarei sobre surfaçagem na sexta-feira, ok? Até lá!

Marcações em lentes free form

Mais uma dúvida de uma colega…

Boa tarde Honda. Sou técnica em óptica, me formei no senac Tiradentes. Sempre ouvi falar de você, principalmente pelo meu professor Alex Dias.

Quero tirar uma dúvida: Vendi uma lente multifocal rodenstock life 3d, só que ao chegar o óculos na loja, verifiquei que a marcações das lentes estavam invertidas, como se a frente da lente tivesse sido montada para dentro. Estranhei, pois nunca vi isso. O laboratório me passou que todas as lentes que são realmente 100% free-form são feitas assim com a marcação invertida.

Fiquei com dúvida, porque já vendi lentes de outras marcas free-form e as marcações nunca vieram assim.

Ana Paula Souza

 

Segue então minha resposta que explica a marcação e a surfaçagem de lentes free form.

 

Como a lente free-form® é totalmente feita em laboratório, independente se é visão simples ou progressivas, esse processo parte de um bloco normal ou Esférico, e é o programa que seleciona que tipo de superfície que será trabalhada por dentro, de acordo com o pedido ou receita do usuário final.

Com isso, depois de selecionado e efetuado os cálculos, todo o trabalho de “esculpir” e surfaçar o bloco é feito pelo lado interno ou côncavo da lente. O processo final dessa lente é a gravação a laser que também é feito na superfície interna ou côncava da lente, veja a foto a seguir:

 

Lentes surfaçadas com tecnologia freeform. Ranhuras deixadas pelo processo aparecem na forma de aspiral.

 

Nessa foto foi colocado um bloco para demonstrar que a superfície gravada pelo laser é a interna ou côncava, isso significa que é o contrário das lentes convencionais onde a gravação é feita pelo lado de fora da lente ou o lado convexo.

Como podemos perceber, aqui começam as diferenças entre lentes convencionais e Free-form®.

 

Lentes surfaçadas com tecnologia freeform. Ranhuras deixadas pelo processo aparecem na forma de aspiral.É possível que a gravação seja feita ao contrário, pois o laser executa a gravação de um banco de dados que pode ser uma figura, uma letra ou mesmo símbolos e não identifica se está “normal” ou “invertida”, a máquina simplesmente “grava”, ok?

 

Sendo assim, para ser uma lente Free-form® não necessita ter a gravação “invertida ou espelhada”, pois isso é apenas um processo de gravação.

Mas para saber se a lente é realmente Free-form® e não convencional seria necessário ter um microscópio eletrônico para ver as micro ranhuras residuais da surfaçagem: no caso de surfaçagem normal teríamos vários micro riscos em forma de “8” um dentro do outro e, no caso de lentes Free-form®, as micro ranhuras pareceriam um disco.

 

Lentes surfaçadas com tecnologia freeform. Ranhuras deixadas pelo processo aparecem na forma de aspiral.

 

Mas se forem lentes progressivas, como no exemplo citado, você pode saber se a lente que está analisando é Free-form® ou convencional utilizando um esferômetro.

Como em caso de lentes progressivas convencionais a superfície progressiva é a externa então ao usar um esferômetro podemos verificar se a superfície é esférica “normal” ou possui uma progressão. Agora, em caso de lentes feitas com tecnologia Free-form® a progressão é interna, o que também podemos confirmar usando um esferômetro.

Sendo assim vamos pegar duas lentes:

Comparação lentes freeform e convencionais. A olho nú é impossível saber qual é a tradicional e qual é a free form

Olhando a foto assim é difícil ou mesmo impossível saber qual é a convencional ou a Free-form®, OK?

Então vamos verificar a superfície da lente 1 com um esferômetro primeiramente no lado externo ou convexo e na parte superior ou para longe, vamos ver que medida foi usada.

Verificação de lentes com o uso de esferômetro. Medindo superfície externa, na parte para perto (inferior)

 

 

 

Observe o esferômetro marca aproximadamente 5,50 D (desculpe a pequena oscilação no esferômetro isso é pelo fato da dificuldade de fotografar).

 

 

Verificação de lentes com o uso de esferômetro. Medindo superfície externa, na parte para perto (inferior)Agora vamos ver como ficou a medição para perto da lente 1.

Observe a medida obtida foi aproximadamente 9,00 D (na verdade foi 8,50 mas na posição que a máquina fotográfica ficou parece que o ponteiro está em 9,00). Isso mostra que na superfície externa ou convexa existe uma diferença de curvaturas que é resultado da progressão ou seja é uma lente convencional. Mas para confirmar precisamos medir a superfície interna, OK.

 

Agora vamos medir a face interna da lente 1 para verificar se existe a mesma oscilação.

Verificação de lentes com o uso de esferômetro. Medindo superfície interna.

 

 

Olhe a superfície interna para longe está com uma medida de 5,50 D aproximadamente, em seguida vamos medir a mesma superfície para perto.

 

Verificação de lentes com o uso de esferômetro. Medindo superfície externa, na parte para longe (superior)

 

Note também para perto a medida é 5,50 D, então fica comprovado que a progressão é externa ou seja a lente é convencional independente se surfaçado com moldes ou usando máquinas free form®.

 

 

Agora vamos fazer o mesmo processo para lente 2.

 

Verificação de lentes com o uso de esferômetro. Medindo superfície externa, na parte para longe (superior)

Primeiro momento medindo o campo de longe do lado externo.

A medida obtida é de 5,75 D OK, agora a parte de perto que pode obter o mesmo resultado ou diferente como vimos anteriormente, OK.

 

 

 

Verificação de lentes com o uso de esferômetro. Medindo superfície externa, na parte para perto (inferior)

 

Veja o resultado, não levando em conta a diferença da posição da fotografia, a curva medida também é de 5,75, agora para confirmar vamos medir a superfície interna.

 

 

Medindo a superfície interna para longe

Verificação de lentes com o uso de esferômetro. Medindo superfície interna, na parte para perto (inferior

 

Repare que a medida foi de mais ou menos 5,25 D, agora precisamos conferir a parte de perto.

 

 

 

Verificação de lentes com o uso de esferômetro. Medindo superfície interna, na parte para perto (inferior

Veja a diferença entre longe e perto é grande, enquanto de longe obtvemos 5,25 D para perto foi de 3,00 D ou seja a “oscilação” de curva ocorreu do lado interno, então sem dúvidas essa é uma lente progressiva free form®.

 

 

 

Ana Paula, acredito que com essa explicação fique claro que ser ou não lente com tecnologia free form® não está relacionado com a gravação da lente ou a forma da gravação e sim com forma de se construir a lente.

Para encerrar mesmo as lentes de Visão Simples podem ser free form® e algumas vem com gravação e outras não, OK

Um grande abraço,

 

 

As primeiras lentes: a história do vidro

Desde o surgimento das primeiras lentes corretivas até os óculos modernos, o material utilizado para a fabricação das lentes mudou bastante.

De que são feitas as lentes dos óculos?

No início, no séc I dC, as primeiras lentes usadas eram feitas de cristal (pedras semi preciosas) cortadas em tiras, depois passaram a ser feitas de vidros e, atualmente, são confeccionadas basicamente por resinas plásticas  (lentes orgânicas, policarbonatos e trivex).

Vamos falar então sobre a história do vidro

Segundo alguns antigos relatos, o vidro foi descoberto de forma acidental e a partir disso é que foi sendo trabalhado chegando às modernas composições dos vidros atuais. O site: www.pt.wikipedia.org/wili/vidro, cita os Egípcios e os Fenícios como sendo os prováveis descobridores.Segundo uma lenda os fenícios voltando do Egito pararam as margens do rio Belus (hoje localiza-se a noroeste de Israel e acredita-se tratar do rio Na’aman) onde montaram acampamento.

Os fenícios traziam sacos de natrão (carbonato de sódio natural usado para tingir lã), acenderam uma fogueira com lenha e usaram pedaços do natrão para apoiar as panelas. Durante a noite mantiveram a fogueira acesa e, quando acordaram, notaram que o natrão desaparecera e em seu lugar encontraram blocos brilhantes e transparentes que pareciam enormes pedras preciosas.

O chefe da caravana, Zelu, observando que onde estavam os blocos de natrão a areia também havia desaparecido ordenou que o fogo fosse reaceso. Passado um tempo uma fieira de líquido fumegante e avermelhado escorreu das cinzas. Antes que a areia incandescente se solidificasse, Zelu, usando uma faca moldou uma tigela que foi admirada com gritos de espanto pelos outros mercadores. O vidro havia nascido.

O vidro surgiu por volta 4.000 a.C. e provavelmente os egípcios começaram a soprar o vidro em 1.400 a.C. com finalidade principalmente artística: Esculpiam e sopravam objetos de decoração que eram confundidas com pedras preciosas.

No Brasil a vidro Continue reading »