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As primeiras lentes: a história do vidro

Desde o surgimento das primeiras lentes corretivas até os óculos modernos, o material utilizado para a fabricação das lentes mudou bastante.

De que são feitas as lentes dos óculos?

No início, no séc I dC, as primeiras lentes usadas eram feitas de cristal (pedras semi preciosas) cortadas em tiras, depois passaram a ser feitas de vidros e, atualmente, são confeccionadas basicamente por resinas plásticas  (lentes orgânicas, policarbonatos e trivex).

Vamos falar então sobre a história do vidro

Segundo alguns antigos relatos, o vidro foi descoberto de forma acidental e a partir disso é que foi sendo trabalhado chegando às modernas composições dos vidros atuais. O site: www.pt.wikipedia.org/wili/vidro, cita os Egípcios e os Fenícios como sendo os prováveis descobridores.Segundo uma lenda os fenícios voltando do Egito pararam as margens do rio Belus (hoje localiza-se a noroeste de Israel e acredita-se tratar do rio Na’aman) onde montaram acampamento.

Os fenícios traziam sacos de natrão (carbonato de sódio natural usado para tingir lã), acenderam uma fogueira com lenha e usaram pedaços do natrão para apoiar as panelas. Durante a noite mantiveram a fogueira acesa e, quando acordaram, notaram que o natrão desaparecera e em seu lugar encontraram blocos brilhantes e transparentes que pareciam enormes pedras preciosas.

O chefe da caravana, Zelu, observando que onde estavam os blocos de natrão a areia também havia desaparecido ordenou que o fogo fosse reaceso. Passado um tempo uma fieira de líquido fumegante e avermelhado escorreu das cinzas. Antes que a areia incandescente se solidificasse, Zelu, usando uma faca moldou uma tigela que foi admirada com gritos de espanto pelos outros mercadores. O vidro havia nascido.

O vidro surgiu por volta 4.000 a.C. e provavelmente os egípcios começaram a soprar o vidro em 1.400 a.C. com finalidade principalmente artística: Esculpiam e sopravam objetos de decoração que eram confundidas com pedras preciosas.

No Brasil a vidro foi introduzido pelos holandeses durante a invasão holandesa em Olinda e Recife (1.624 a 1.635). A primeira oficina foi montada por quatro artesões que acompanhavam o príncipe Maurício de Nassau, com a saída dos holandeses a fábrica fechou. D. Maria I “A louca” expede um alvará em 1.785 que determina a extinção de todas as manufaturas no Brasil.

D. João, inspirado por José da Silva Lisboa (o Conde de Cairú) expediu em 1º de Abril de 1808 outro alvará abolindo e revogando qualquer proibição alegando promover a riqueza nacional. Com isso em 1.810 volta a fabricação de vidro no Brasil.

Das grandes fábricas nacionais a Santa Marina foi fundada em 1895 em São Paulo, da sua longa história o momento mais importante para o setor óptico ocorreu em 1944 quando ele se uniu a vidraria americana Corning Glass Works, e no ano de 1951 a nova união trouxe o famoso vidro Pyrex. Outra empresa de peso é a Cisper (Companhia Industrial São Paulo e Rio) que surgiu de uma pequena fábrica de nome Carmita fundada em 1908, em 1916 com a falência da Carmita os engenheiros Olavo Egydio de Souza Aranha Jr e Alberto Monteiro de Carvalho e Silva assumem a empresa, curiosidade a Av. da entrada da vidraria em São Paulo recebe o nome do Engenheiro Olavo e o Bairro assumiu o nome da fábrica “Cisper”. Outra que não podemos deixar de citar é a Nadir Figueiredo que começou importando vidro em 1935.

A Corning do Brasil montou sua fábrica de forma independente em 1964 no estado de São Paulo fabricando tubos de televisão, logo começou a fabricação de blocos para lentes oftálmicas foi o único fabricante na área oftálmica, setor que exige uma enorme precisão e domínio de técnicas sofisticadas.

Como vimos desde a descoberta do vidro até a chegada da composição ideal para uso em lentes até os dias atuais, o mercado de lentes de vidro decaiu muito e foi substituído quase na íntegra por resina plásticas (lentes orgânicas, policarbonatos e trivex) a indústria vidreira contribui muito.

Entre os produtos de destaque dos vidros utilizados em lentes estão:

– CRISTAL CROWN

A história do surgimento do cristal crown ocorreu com grande dificuldade. Da idade média em diante as composições dos vidros criados pelos peritos foi muito bem guardado pelas famílias contra a espionagem industrial de outras vidrarias incluindo de outros países.

De lá para os dias atuais sua composição pouco mudou e ainda hoje é considerado  o material mais completo no quesito qualidade óptica, é lógico que ele perde em outros quesitos que hoje damos muita importância como: peso, resistência, etc. Esse fato mudou o comportamento do consumidor e de nós ópticos deixando as lentes de vidro para o segundo plano, porém não podemos deixar de citar a sua importância.


O vidro crown possui o seu índice de 1.523 e veio a substituir na totalidade os vidros comuns que se faziam lentes de “grau” (dioptria) como esse material possui uma composição homogênea e limpa é usado em outros setores, mas o seu principal uso está em óptica, o seu ponto forte é o valor ABBE próximo de 60, o que lhe confere baixa dispersão cromática, no setor de óptica instrumental o vidro crown compõe um dubleto de lentes para correção cromática (dubleto é uma lente especial feita com dois tipos de materiais de vidro diferentes que se completam, não é usual no setor de óptica oftálmica).

– CRISTAL FLINT

O termo “Flint” usado nos vidros ou Cristais Flint são derivados do Sílex encontradas em depósitos de giz da Inglaterra (O termo “Flint” pode ser traduzido como “Sílex”).

O flint é um cristal versátil cujo índice de refração varia de 1,45 até 2,00 e o seu valor ABBE varia de 50 a 55. Na composição original do flint existe uma grande quantidade de óxido de chumbo o que tornava a lente muito pesada. As composições mais modernas usam o dióxido de Titânio ou o dióxido de Zircônio o que altera muito pouco as propriedades ópticas do cristal.

Uma curiosidade: esse cristal é uma das opções para se fazer o Strass que simula o diamante nas bijuterias.

As lentes em cristal Flint estão em desuso.

– CRISTAL BÁRIO

Bário ou Barium é utilizado na composição do vidro para aumentar o índice de refração, é aplicado na forma de “carbonato de Bário”, seu uso ocorre mais nos “botões” que compõe os antigos bifocais (“botões” são as pequenas lentes que compõe o campo de perto dos bifocais em cristal fundido, ex. Kriptok, Panoptik, Flat-Top, etc.)

– HIGHLIGHT

A lentes feitas com cristal HIGHLIGHT também podem ser denominadas como Hi Index, Alto Índice, HI-Light e por aí vai, pois é uma questão de domínio da marca pelas diversas empresas de vidro existentes, a sua composição varia de acordo com o material mas o mais comum é chamar o cristal de índice 1.700 como sendo o Highlight, foi um dos primeiros materiais de Alto Índice usados na indústria de lentes no Brasil.

– LANTÂNIO

O Lantânio é usado na fabricação de vidros ópticos especiais, usando esse material foi possível aumentar a gama de lentes nos diversos Índices de refração normalmente os cristais com Índice de 1.800 são os que usam Óxido de Lantânio na sua composição.

– TITÂNIO

Já observamos a presence do Titânio na composição do Flint então não é novidade que ele esteja presente nas modernas lentes. Essas lentes são comumente encontradas nas lente de Índice 1.900.

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